Roubou-me a saliva para lavar tuas feridas Lavou as tuas mágoas O meu encanto enxugou tem pranto Agora sopre para bem longe A sua consciência crucificadora Esse manto de pó Que já me fez esquecer O que resta depois?
Estúpida ansiedade Estúpidos nervos isolados Canto, encanto ou desencanto? Conto até mil e não passa.. Estúpido medo Do breu, Do fim. O que sinto será verdade? Essa estúpida ansiedade . . . . Já devia ter aprendido.
Eu triste sou calada
Eu brava sou estúpida
Eu lúcida sou chata
Eu gata sou esperta
Eu cega sou vidente
Eu carente sou insana
Eu malandra sou fresca
Eu seca sou vazia
Eu fria sou distante
Eu quente sou oleosa
Eu prosa sou tantas
Eu santa sou gelada
Eu salgada sou crua
Eu pura sou tentada
Eu sentada sou alta
Eu jovem sou donzela
Eu bela sou fútil
Eu útil sou boa...
(Martha Medeiros)